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08.02.2018

O pensamento imutável e a revolta seletiva

Por: Joana Binda

Bertold Brecht, no século XX, colocou em palavras o prejuízo gerado pelo analfabetismo político. Segundo ele, esse é o pior dos desconhecimentos. Na categoria tão rigorosamente – e justamente – condenada pelo dramaturgo alemão, se encaixam aqueles que não ouvem, que não leem e que sentem orgulho ao estufar o peito e declarar ódio pela política. Pois bem, sinto informar a vocês, caros leitores: atingimos um novo patamar no século XXI.

 Esse nível alcançado na contemporaneidade se refere àqueles cidadãos que até ouvem, até leem e até admitem que a política é um dos pilares que, de fato, sustenta a nossa sociedade e tudo mais que vem com ela – o bem ou o mal. O problema de tais criaturas é lamentável, mas persiste e é extremamente comum: a revolta não é mais iminente, justa ou coerente, agora ela é seletiva, excludente e exclusiva! O principal fator que gera tal analfabetismo da sociedade pós-moderna não é difícil de entender.

Atualmente, no Brasil, mais de DEZESSEIS milhões de pessoas filhadas a algum partido político. Se a polarização não fosse tão ruim, esse dado também não precisaria se caracterizar de tal forma. Entretanto, não podemos ignorar a falta de discussão, a censura de ideias e a ausência de um meio termo, já que esses são fatores que corroboram significativamente para o caos ideológico do contexto hodierno.

Admitir a corrupção, no ano de 2018, é uma dádiva! Dizer que fulano é corrupto, por mais que ele siga uma linha de pensamento identificável e condene extremismos que o cidadão também não aprova é quase um milagre. Creio que, no fundo, isso tenha muito a ver com outro problema (muito bem ilustrado por Bauman, aliás) que assola nosso universo: somos tão individualistas e egoístas que as causas que escolhemos sempre precisam estar certas. Se, em algum momento, tal certeza estiver ameaçada por algum fator, as garras e os dentes se mostram e o pensamento, então, fica solidificado, estático e incapaz de uma mudança.

Por favor, sejamos a famosa metamorfose ambulante. Admitir um erro, seja ele qual for, não é hipocrisia, é SENSATEZ. Dizer que a opinião acerca de tal fulano estava equivocada não caracteriza hipocrisia, mas sim discernimento, bom senso e criticidade. O que Brecht condenou há aproximadamente cem anos vem à tona de uma forma chocante, mas real e assustadora. Cidadãos: leiamos e ouçamos de novo, o quanto for preciso, para que seja possível atingir o conceito de maturidade política que se mostra inexistente no contexto em que, infelizmente, estamos hoje inseridos. 

Joana Binda

Joana Binda, estudante de 17 anos. Apaixonada por filosofia, política, história e sociologia, pretende cursar jornalismo ao terminar o ensino médio em 2017.

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