VERAGORA

Portal de Notícias de Veranópolis e Região

Publicidade
19.04.2018

Como ocorre o processo de aquisição da linguagem?

Por: Mônica Rigo Ayres

Não há ninguém que nasça falando, no entanto, em qualquer lugar do mundo, há uma fase muito inicial da vida em que todas as crianças começam a falar. Você já parou pra pensar em como as crianças ‘aprendem’ sua língua?

Há algumas teorias que tentam explicar como ocorre o processo de aquisição da linguagem, mas duas possuem maior força: a teoria inatista e a teoria sociocognitivista.

De acordo com a teoria inatista, os humanos já nascem com um dispositivo específico para a linguagem no cérebro, ou seja, adquirir linguagem para nós é algo genético. Dessa maneira, para a aquisição seria necessário apenas consolidar determinados parâmetros de determinada língua, a partir de princípios universais da linguagem. Segundo essa teoria, a linguagem é fruto de uma mutação genética, isto é, a capacidade da linguagem em nossa espécie é fruto de uma modificação genética que ocorreu ao longo da história.

 Já para a teoria sociocognitivista (ou da tábula rasa), pressupõe-se que a aquisição da linguagem se dá a partir de algumas habilidades cognitivas exclusivas, que tornam os humanos aptos à criação e ao uso da língua. Nesse caso, a linguagem seria fruto não de uma mutação genética, mas sim de um processo de evolução cognitiva e sociocultural.

De qualquer maneira, o processo de aquisição da linguagem é fascinante. Note que não é preciso que as crianças partam de um dicionário para começar a se comunicar, vão sendo aprendidas palavras, seus significados, seus possíveis usos e combinações ouvindo as pessoas falando ao redor, sem que seja necessária instrução formal. Por exemplo, não é preciso que um adulto explique explicitamente para uma criança que, em português, usamos artigos antes de substantivos, mas nunca substantivos antes de artigos, mesmo assim, intuitivamente a criança sabe disso. Tanto é assim, que uma criança poderia pronunciar a frase “A menina leu o livro”, mas nunca escutaríamos algo como “Menina a leu livro o”. Ainda que possamos não ter clara a definição e o conceito do que seja um artigo e do que seja um substantivo, mesmo assim, sabemos implicitamente essa e muitas outras regras da língua, que foram aprendidas em nosso processo de aquisição da linguagem.

Mônica Rigo Ayres

Mônica Rigo Ayres é doutoranda em Linguística (Estudos da Linguagem - Gramática e significação) na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Mestre em Letras (Linguística) pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS (2016) e graduada em Letras (Licenciatura em Língua portuguesa, Língua espanhola e suas respectivas literaturas) pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS (2014).
Se interessa por ensino de línguas e por fenômenos da linguagem, atua como pesquisadora desde 2012, abrangendo em suas pesquisas principalmente sintaxe, morfologia e Linguística Computacional.

+ ver todas colunas de Mônica Rigo Ayres

Enquete

Receba nossa newsletter:

fique por dentro

Cadastre seu e-mail e receba
nossa newsletter:

VERAGORA - O Portal de Notícias de Veranópolis

veragoranoticias@gmail.com

© 2017 VERAGORA.com.br Todos os direitos reservados a marca ou seus representantes